quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Entenda a diferença entre o upcycle e a reciclagem


Na busca por soluções que evitem ou, pelo menos, reduzam a degradação ambiental, muitos termos e conceitos vão surgindo. É o caso do upcycle, que surgiu em 1990 e está cada vez mais presente no dia a dia das pessoas.

Ao contrário da reciclagem, que prevê a criação de um novo ciclo para o material descartado, o upcycle visa a valorização do ciclo. De acordo com William McDonough e Michael Braungart, no livro Cradle to Cradle: Remaking the Way We Make Things, upcycle é “evitar desperdício de materiais potencialmente úteis, fazendo uso dos já existentes”.

Os autores afirmam, ainda, que ao reduzir o uso de novas matérias-primas, há uma redução no consumo de energia, poluição do ar, poluição da água e até as emissões de gases de efeito estufa.

Ainda não entendeu? Funciona assim: os produtos que não têm mais uso e iriam para o lixo, devem ser utilizados como são, mas para outros fins. De forma que seu produto final agregue valor ao material utilizado.

Dessa forma, o que estaria no fim da vida útil se transformaria em algo novo e valorizado. É uma espécie de reinserção do produto nos processos produtivos.

O processo vem ganhando muitos adeptos. Isso porque, além de ser ecologicamente correto, o custo é bastante reduzido, o colocando em posição de destaque no mercado e sendo a opção preferida de artesãos adeptos da reutilização. Dessa forma, o upcycle está cada vez mais presente na moda, na decoração e em outras áreas.
Garfos podem virar ganchos para pendurar casacos, roupas, etc. Foto: frugalligence
A exemplo disso, algumas empresas transformam embalagens em matéria-prima para confeccionar bolsas, mochilas, estojos e cadernos. Alguns artesãos criam armários, mesas e cadeiras, a partir de fita adesiva, CDs e fitas cassetes.

Entre as vantagens do processo estão a substituição do uso de matérias-primas ‘virgens’ na criação de novos produtos e a diminuição de lixo no aterro sanitário e nas ruas.
Mas, e a reciclagem?

A reciclagem ainda desempenha papel importante na sociedade. No entanto, quando o resíduo passa pelo processo, perde valor e acaba se tornando uma matéria-prima de segunda mão.

O upcycle vem para inovar os processos de reutilização e reaproveitamento de materiais já desgastados e não para invalidar a reciclagem.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Os direitos da Mãe Terra e sua dignidade, por Leonardo Boff


Leonardo Boff, 18/11/2017

Anteriormente escrevemos sobre os direitos dos animais. Agora cabe discorrer sobre os direitos da Mãe Terra e de sua alta dignidade. O tema é relativamente novo, pois dignidade e direitos eram reservados somente aos seres humanos, portadores de consciência e de inteligência como o fez Kant em sua ética. Predominava ainda a visão antropocêntrica como se nós exclusivamente fôssemos portadores de dignidade. Esquecemos que somos parte de um todo maior. Como dizem renomados cosmólogos, se o espírito está em nós é sinal que ele estava antes no universo do qual somos fruto e parte.

Há uma tradição da mais alta ancetralidade que sempre entendeu a Terra com a Grande Mãe que gerou todos os seres que nela existem. As ciências da Terra e da vida, por via científica, nos confirmaram esta visão. A Terra é um superorganismo vivo, Gaia (Lovelock), que se autoregula para ser sempre apta para manter a vida no planeta.

A própria biosfera é um produto biológico pois se origina da sinergia dos organismos vivos com todos os demais elementos da Terra e do cosmos. Criaram o habitat adequado para a vida, a biosfera. Ela como tal não pre-existia. Foi criada pelo próprio sistema-vida para poder sobreviver e se reproduzir. Portanto, não há apenas vida sobre a Terra. A Terra mesma é viva e como tal possui um valor intrínseco e deve ser respeitada e cuidada como todo ser vivo. Este é um dos títulos de sua dignidade e a base real de seu direito de existir e de ser respeitada.

Os astronautas nos deixaram este legado: vista de fora, Terra e Humanidade fundam uma única entidade; não podem ser separadas. A Terra é um momento da evolução do cosmos; a vida é um momento da evolução da Terra; e a vida humana, um momento da evolução da vida. Por isso podemos, com razão dizer, o ser humano é aquela porção da Terra em que ela começou a tomar consciência, a sentir, a pensar e a amar. Somos sua porção consciente e inteligente.

Se os seres humanos possuem dignidade e direitos, como é consenso dos povos, e se Terra e seres humanos constituem uma unidade indivisível, então podemos dizer que a Terra participa da dignidade e dos direitos dos seres humanos e vice-versa.

Por isso, não pode sofrer sistemática agressão, exploração e depredação por um projeto de civilização que apenas a vê como algo sem inteligência e por isso a trata sem qualquer respeito, negando-lhe valor intrínseco em função da acumulação de bens materiais.

É uma ofensa à sua dignidade e uma violação de seus direitos de poder continuar íntegra, limpa e com capacidade de reprodução e de regeneração. Por isso, está em discussão um projeto na ONU de um Tribunal da Terra que pune quem viola sua dignidade, desfloresta e contamina seus oceanos e destrói seus ecossistemas, vitais para a manutenção dos climas e do ciclo da vida.

Por fim, há um último argumento que se deriva de uma visão quântica da realidade. Esta constata, seguindo Einstein, Bohr e Heisenberg, que tudo, no fundo, é energia em distintos graus de densidade. A própria matéria é energia altamente interativa. A matéria, desde os hádrions e os topquarks, não possui apenas massa e energia. Todos os seres são portadores também de informação, fruto da interação entre eles,

Cada ser se relaciona com os outros do seu jeito de tal forma que se pode falar que surge níveis de subjetividade e de história. A Terra na sua longa história de 4,5 bilhões de anos guarda esta memória ancestral de sua trajetória evolucionária. Ela tem sujetividade e história. Logicamente ela é diferente da subjetividade e da história humana. Mas a diferença não é de princípio (todos estão conectados entre si) mas de grau (cada um à sua maneira).

Uma razão a mais para entender, com os dados da ciência cosmológica mais avançada, que a Terra possui dignidade e por isso é portadora de direitos, o que corresponde de nossa parte, deveres de cuidá-la, amá-la e mantê-la saudável para continuar a nos gerar e nos oferecer os bens e serviços que nos presta.

Essa é uma das mensagens centrais da encíclica do Papa Francisco “sobre o cuidado da Casa Comum”(2015). Na mesma linha vai a Carta da Terra, um dos documentos axiais da nova visão da realidade (2000) e dos valores que importa assumir para garantir sua vitalidade. O sonho coletivo que propõe não é o “desenvolvimento sustentável”, fruto da economia política dominante, anti-ecológica. Mas “um modo de vida sustentável” que resulta do cuidado para com a vida e com a Terra. Este sonho supõe entender “a humanidade como parte de um vasto universo em evolução” e a “Terra como nosso lar e viva”; implica também “viver o espírito de parentesco com toda a vida”, “com reverência o mistério da existência, com gratidão, o dom da vida e com humildade, nosso lugar na natureza”(Preâmbulo).

A Carta da Terra propõe uma ética do cuidado que utiliza racionalmente os bens escassos para não prejudicar o capital natural nem as gerações futuras; elas também têm direito a um Planeta sustentável e com boa qualidade de vida. Isso somente ocorrerá se respeitarmos a dignidade da Terra e os direitos que ela tem de ser cuidada e guardada para todos os seres, também os futuros.

Agora pode começar o tempo de uma biocivilização, na qual Terra e Humanidade, dignas e com direitos, reconhecem a recíproca pertença, de origem e de destino comum.

Leonardo Boff é articulista do JB on line, eco-teólogo e escritor.

Sem dinheiro, casal constrói casa com pneus velhos e latas de alumínio usadas


Seguindo a linha de Michael Reynolds, arquitecto famoso por utilizar ‘lixo’ para construir casas, um casal Português resolveu colocar a mão na massa e levantar a sua residência a partir de terra, pneus velhos e latas de alumínio. Além de dar nova utilidade para utensílios que iriam para os aterros sanitários, a casa ficou 50% mais barata que o previsto.

Com aproximadamente 9 mil latas e 700 pneus, a casa poupou 70% do cimento necessário para construções civis “normais”. Madeira, portas, janelas e toda a mobília também têm o carácter de upcycle cultivado pelo casal.

O projeto, que nasceu do desejo de baixar os custos, também é contemplado com um telhado verde, painéis solares e cisterna. Assim, espera-se que durante o ano haja oscilação na temperatura interna de, no máximo, 3ºC.

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Subscrevam e partilhem a petição para criar Núcleo Museológico no Pejão

As minas do Pejão encerraram no último dia do ano de 1994. Desde então o seu património tem estado a degradar-se.
Petição MINAS do PEJÃO - Resgate da Memória
Subscrevam a petição neste link. Assinem e partilhem 

Em menos de uma semana uma petição para que seja criado um núcleo museológico das Minas do Pejão atraiu o apoio de centenas de cidadãos – até às 16h desta quarta-feira mais de 860 pessoas tinham já assinado o documento lançado pelo MIRA FORUM, no Porto. São precisas quatro mil assinaturas para que o documento seja apreciado no plenário da Assembleia da República.

A ideia surgiu durante a preparação da montagem da exposição Carvão de Aço, do fotojornalista do PÚBLICO Adriano Miranda. Foi nas conversas em torno das imagens captadas há mais de 25 anos nas Minas do Pejão que Manuela Matos Monteiro tomou consciência do património material e imaterial que estava a desaparecer aos poucos.

A petição lançada na noite de 13 de Fevereiro é dirigida ao Presidente da República, ao presidente da Assembleia da República e ao primeiro-ministro apelando-se a que as Minas do Pejão cheguem ao Parlamento, permitindo que “o assunto seja analisado e debatido no sentido da constituição de um núcleo museológico e que sejam encontradas soluções de modo a combinar-se a memória do lugar e da actividade mineira com o inegável interesse turístico para a região”.

No texto recorda-se que as minas, geridas pela Empresa Carbonífera do Douro, estiveram em actividade durante 77 anos, até encerrarem em 1994, e que o seu “precioso” património material sofre de “uma progressiva degradação”. Além disso, refere-se no mesmo documento, “há todo um património imaterial – as experiências e vivências dos mineiros, testemunhos únicos e irrepetíveis que é preciso registar”. Os peticionários, com Manuela Matos Monteiro, do MIRA, como primeira signatária, avisam que “o desaparecimento destes protagonistas [os mineiros] implica o desaparecimento deste património”.

A exposição Carvão de Aço no MIRA, em Campanhã, inicialmente prevista até 24 de Fevereiro, vai ser prolongada até 21 de Abril e até essa data será possível subscrever a petição, também disponível na internet. Manuela Matos Monteiro diz que não sabe se o documento irá alcançar as quatro mil assinaturas que permitem o agendamento do tema para o plenário da Assembleia da República, mas diz que parte do que o MIRA pretendia alcançar, já está feito.

“O tema não é fácil, mas por isso também quisemos avançar com isto. É uma forma de consciencialização, um trabalho de pedagogia e já temos um ganho fundamental: os mineiros perceberem que se está a dar importância à vida deles”, diz. Contudo, nota, os signatários querem "mais" e estão já em conversações com outras entidades ligadas à preservação do património mineiro para "mostrar que é possível" fazer o que pedem.

Fontes: Publico e Mira Forum

domingo, 18 de fevereiro de 2018

Poema- Reiner Maria Reike

Parque Nacional Peneda-Gerês

“Se nos rendêssemos à inteligência da Terra poderíamos erguer-nos enraizados, como árvores”~ Rainer Maria Rilke.

"If we surrendered to Earth's intelligence, we would rise up rooted, like trees."~ Rainer Maria Rilke.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Poema da Semana - Poema del Ábol, por Antonio Machado

"As árvores só falam para nós se tivermos a lucidez para as escutar" - João Soares

Paul Cezanne- Large Pine and Red Earth.c.1896 

Árbol, buen árbol, que tras la borrasca
te erguiste en desnudez y desaliento,
sobre una gran alfombra de hojarasca
que removía indiferente el viento...


Hoy he visto en tus ramas la primera
hoja verde, mojada de rocío,
como un regalo de la primavera,
buen árbol del estío.


Y en esa verde punta
que está brotando en ti de no sé dónde,
hay algo que en silencio me pregunta
o silenciosamente me responde.


Sí, buen árbol; ya he visto como truecas
el fango en flor, y sé lo que me dices;
ya sé que con tus propias hojas secas
se han nutrido de nuevo tus raíces.

Y así también un día,
este amor que murió calladamente,
renacerá de mi melancolía
en otro amor, igual y diferente.

No; tu augurio risueño,
tu instinto vegetal no se equivoca:
Soñaré en otra almohada el mismo sueño,
y daré el mismo beso en otra boca.

Y, en cordial semejanza,
buen árbol, quizá pronto te recuerde,
cuando brote en mi vida una esperanza
que se parezca un poco a tu hoja verde...

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Não force nunca, por Agostinho da Silva


George Agostinho Baptista da Silva (Porto, 13 de Fevereiro de 1906 — Lisboa, 3 de Abril de 1994) foi um filósofo, poeta e ensaísta português. O seu pensamento combina elementos de panteísmo, milenarismo e ética da renúncia, afirmando a Liberdade como a mais importante qualidade do ser humano. Agostinho da Silva pode ser considerado um filósofo prático empenhado, através da sua vida e obra, na mudança da sociedade.

Recomendo vivamente este documentário do João Rodrigo, neto do professor Agostinho da Silva.
Mais informações, biografia, obras publicadas e sites encontram-se nesta postagem de 2010.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

O documentário completo - Amanhã (Demain) legendado em Português


Amanhã - Um Novo Mundo Em Marcha from Permacultura on Vimeo.


Documentário francês que aborda a crise planetária que estamos vivendo. Mas, ao contrário de outros documentários que priorizam os problemas, foca as soluções que estão sendo colocadas em prática ao redor do globo para um mundo bem melhor. Foi rodado em 10 países. Em cada local que a equipe gravou, somos apresentados a pessoas e organizações que estão mudando sua economia, reinventando a democracia, recriando a educação, fortalecendo a agricultura sustentável e investindo em novas fontes de energia.


Versão Espanhola e Italiana aqui

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Sem lentidão não há paladar. (...) por José Tolentino Mendonça

Foto de autor- Ruta da Samieira, Galiza


"Sem lentidão não há paladar. (...) Os nossos estilos de vida parecem irremediavelmente contaminados por uma pressão que não dominamos; não há tempo a perder; queremos alcançar as metas o mais rapidamente que formos capazes; os processos desgastam-nos, as perguntas atrasam-nos, os sentimentos são um puro desperdício: dizem-nos que temos de valorizar resultados, apenas resultados. À conta disso, os ritmos de actividade tornam-se impiedosamente antinaturais." ~ José Tolentino Mendonça in "A mística do instante"

domingo, 11 de fevereiro de 2018

Documentário: "Semente- a História por Contar" (Seed The Untold Story)

"Semente- a História por Contar" (Seed The Untold Story). 


PT

Poucas coisas na Terra são tão milagrosas e vitais como as sementes. Elas são tesouros, e adoradas desde o início da humanidade. No século passado, 94% das nossas variedades de sementes desapareceram. 'Semente: A História por Contar', segue guardiões de sementes apaixonados que protegem nosso legado alimentar de 12 mil anos. Como a maioria das empresas químicas de biotecnologia hoje tentam controlar a maior parte das nossas sementes, fazendeiros, cientistas, advogados e guardiões de sementes indígenas travam uma batalha entre David e Golias para defender o futuro da nossa comida. Em uma história angustiante e encorajadora, esses heróis relutantes reacendem uma conexão perdida com nosso recurso mais precioso e resgatam toda uma cultura ligada à semente.

EN
A film about the importance of heirloom seeds to the agriculture of the world, focusing on seed keepers and activists from around the world. 

Realizado por Raon Betz (co-director) e Taggart Siegel (co-director). 2016
Entre muitos conta com testemunhos de Vandana Shiva, Andrew Kimbrelle e Jane Goodall